quinta-feira, 5 de agosto de 2021

A homofobia é um crime que não ataca somente a comunidade LGBTQ+



Pode parecer estranho, mas ataques homofóbicos mataram um menino heterossexual de 16 anos. Foto: Instagram


Por Amanda Dombrowski

Após postar um vídeo no Tik Tok, João Lucas Santos, filho de Walkyria Santos, recebeu diversos comentários homofóbicos. João Lucas é heterossexual e, segundo ele, fez apenas uma brincadeira com seu amigo.

No vídeo postado, os dois iam conversar e simulavam um beijo, o que na verdade não chegou a acontecer em nenhum momento. João Lucas sentiu a necessidade de realizar outra postagem na rede social pedindo desculpas.

Após tudo isso, o menino foi encontrado morto no condomínio onde morava com a mãe, em Natal, Rio Grande do Norte.

Walkyria comentou em suas redes sociais que seu filho já apresentava sinais e frequentava psicólogos. Mas a gota d'água para que o menino cometesse suicídio foi todo o ataque recebido.

A mãe pede para que todas as pessoas fiquem alertas, assim ninguém precisaria chegar ao ponto de cometer suicídio.

A homofobia é um mal tão enraizada em nossa sociedade, que chega ao ponto de atingir até mesmo pessoas heterossexuais. Se essa situação aconteceu dessa forma, imagina o que a comunidade LGBTQ+ passa na pele todos os dias.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Camila & Júlia | Uma História de amor LGBTQ dentro do esporte no Paraná


Júlia (esquerda) e Camila (direita) posam com troféu. Foto: Divulgação


Por Amanda Dombrowski



Camila Costa, natural de Ubiratã (PR) e atleta de futsal. Em 2009 iniciou a sua carreira no esporte de alto rendimento, em Pindamonhangaba (SP), mesmo ano em que se assumiu LGBTQ+ para a sua família.


. A atleta passou por algumas equipes no estado de São Paulo até 2014, quando começou a atuar no Paraná, começando pelo clube Guarapuava. Em seguida jogou 5 anos por Cianorte e hoje defende o clube Stein da cidade de Cascavel.


Júlia Melz, natural de Iporã do Oeste (SC) e atleta de futsal. Em 2006 iniciou a sua carreira no esporte de alto rendimento, no Chimarrão de Estância Velha (RS). Em 2010 se assumiu LGBTQ+ para a sua família.


A atleta atua faz 15 anos e durante esse período jogou pelo Kindermman (SC), Unifor (CE), Bebedouro (SP), Guarapuava (PR). Hoje defende o clube de Cianorte (PR).


Dificuldades


O fato de ser mulher e LGBTQ+ no esporte pode trazer algumas dificuldades. Camila conta que sempre precisou enfrentar o machismo dentro do esporte, pelo fato de muitas pessoas acharem que o futsal não é para mulheres. Por outro lado, nunca sofreu LGBTfobia.


“Algumas pessoas tinham uma certa dificuldade em compreender no começo, (ela ser LGBT1+)  mas com a convivência se tornava natural”, explica Júlia.


Representatividade dentro das Olimpíadas


Camila considera que é muito importante pessoas com visibilidade e influência falarem sobre o respeito com a comunidade LGBTQ+. “A humanidade precisa de mais amor, não importa qual a forma dele”, completa Camila.


Júlia não tem uma opinião diferente desta sobre o assunto, ela considera que a representatividade nas olimpíadas é uma grande conquista. “Não que nas olimpíadas passadas não tivesse essa representatividade, mas hoje conseguimos falar, ser quem somos, sem tanta repressão. Para os futuros atletas isso é uma grande conquista, podendo ser sua essência dentro e fora das competições”, comenta Júlia.


Caminhos que se cruzam


Camila e Júlia se abraçam pós-jogo. Foto: Divulgação


Júlia e Camila se conheceram em 2013, jogando por Bebedouro (SP). Logo de início se aproximaram e construíram uma grande amizade que se transformou em um relacionamento amoroso.


As duas nunca deixaram que o relacionamento fora das quadras afetasse o rendimento. As atletas comentam que que apenas evoluíram devido ao grande diálogo e cobrança dentro e fora de quadra. “O diálogo é algo que priorizamos, claro que existem outras características que são base para nosso relacionamento como amor, confiança, respeito, reciprocidade, empatia, Mas o diálogo é fundamental”, relatam.

Hoje, as atletas não moram na mesma cidade, pois atuam em times diferentes. Júlia joga em Cianorte e Camila em Cascavel. Elas explicam que isso não interferiu no profissionalismo e nas responsabilidades.

Apesar da distância ser difícil, as duas consideram que amadureceram e aprenderam muito durante esse período. “Nesses 8 anos construímos uma família, uma unidade, na qual, queremos sempre estar juntas, independente do momento ou da circunstância”, comentam.


quinta-feira, 29 de julho de 2021

Aos poucos, estamos dominando o mundo

 

Douglas Souza, primeiro LGBTQ+ a disputar as olimpíadas pela seleção masculina de vôlei do Brasil, ataca contra os Estados Unidos - Foto: Divulgação FIVB

Por Amanda Dombrowski


Os Jogos Olímpicos de Tóquio trouxeram um grande marco para a história. Com 160 atletas declarados LGBTQ+, e a primeira olimpíada onde uma mulher trans disputa, os jogos de 2021 somam mais atletas da comunidade do que as duas últimas edições juntas.


E qual a importância deste marco para a comunidade LGBTQ+? No Brasil, a conquista de direitos caminha a passos lentos. Infelizmente, em 2020, de acordo com o relatório intitulado como “Observatório das Mortes Violentas de LGBTI+ No Brasil – 2020”, realizado pelo Grupo Gay da Bahia e pela Acontece Arte e Política LGBT+, de Florianópolis, foram registradas pelo menos 237 mortes devido à LGBTfobia. Sendo dessas, 224 homicídios e 13 suicídios.


A presença de vários atletas LGBTQ+ nas olimpíadas mostra para todo o mundo que a comunidade está presente em todos os lugares. Mesmo que toda a sociedade tente silenciar aqueles que consideram errados e diferentes, a comunidade continua lutando por direitos e está sim conquistando todos os lugares que deseja.


E para o Brasil esse marco histórico das olimpíadas está representado também por um novo atleta. O país soma 15 jogadores assumidos da comunidade LGBTQ+, incluindo as atletas do futebol feminino Marta e Andressa Alves. Mas quem chamou toda a atenção foi Douglas Souza, atleta de vôlei masculino da seleção brasileira.


Douglas assumiu a sua sexualidade em 2018 e é o primeiro atleta da seleção de vôlei brasileira a se assumir gay. Seu talento vai além das quadras, conquistando o coração de muitos através do seu carisma nas redes sociais. Tendo, até a conclusão desta matéria, 2,9M de seguidores no Instagram.


Que esse marco na história das olimpíadas possa trazer para a comunidade LGBTQ+ mais segurança em relação a visibilidade e representatividade. Viva aos jogos da diversidade!



sábado, 17 de julho de 2021

E se a violência contra os LGBTQ's no Brasil fosse inversa?

Artista LGBTQ, Romanov, lança a sua música chamada CEO. Tanto a letra quanto o clipe do single passam uma mensagem forte e de militância.

Foto: Dezevecki


Por Amanda Dombrowski


Romanov explica que tenta passar a sua identidade através desse lançamento. "Eu pude mostrar que os LGBTQ's podem estar em qualquer lugar que quiserem estar. Podem ditar as regras do jogo e não vão estar fadados sempre a receber a dor, nós também sabemos e vamos nos defender", explica o artista.


A obra apresenta cenas fortes, mas que não tem o objetivo de fazer uma apologia ao crime. Romanov conta que está apenas assumindo o seu papel como artista na sociedade para fazer a revolução.


O processo de produção começou com a escrita da letra. Em seguida, para criar o roteiro do clipe, o artista escreveu um conto. A partir dele foi possível fazer o clipe com o começo, meio, ápice e fim.


Foto: Dezevecki

CEO passa uma mensagem de empoderamento e chama para uma reflexão. Romanov quer que as pessoas pensem "e se fosse ao contrário?" ou "Por que eles fazem isso se eles não querem receber o mesmo?".


Com elementos impactantes, o artista tenta responder a seguinte pergunta: Como a sociedade veria a comunidade LGBTQ se eles fizessem exatamente a repressão que vivem?


Romanov sente que, como artista LGBTQ, precisa falar sobre isso. "Muitos LGBTQ's estão sendo mortos, massacrados, todos os dias. Principalmente no Brasil que é o país que mais mata LGBTQ's no mundo", explica ele.


O objetivo de Romanov é alcançar muitas pessoas para que elas se identifiquem e reflitam. E não para por aí. Romanov tem o objetivo de lançar mais uma música neste ano. Aguarde!


Assista o teaser:



Para assistir ao clipe completo acesse:



#CEO #ROMAN0V #SINGLE


quinta-feira, 24 de junho de 2021

A HISTÓRIA POR TRÁS DA BANDEIRA

Você sabe como surgiu o símbolo do Orgulho LGBTQIA+?

Seu criador é um americano chamado Gilbert Baker e criou o estandarte com oito cores, em 1978, para o Dia de Liberdade Gay de San Francisco, na Califórnia.

A bandeira original tinha as seguintes cores, cada uma representando um aspecto diferente da humanidade:

Rosa | Sexualidade

Vermelho | Vida

Laranja | Cura

Amarelo | Luz do Sol

Verde | Natureza

Turquesa | Magia / Arte

Anil | Harmonia / Serenidade

Violeta | Espírito Humano


Depois a bandeira foi reduzida a seis cores, sem o rosa e o anil. O azul também acabaria por substituir o turquesa. Falando sobre sua criação, Baker disse que queria transmitir a ideia de diversidade e inclusão, usando "algo da natureza para representar que nossa sexualidade é um direito humano".

"Decidi que tínhamos de ter uma bandeira, que uma bandeira nos encaixasse em um símbolo, o de que somos pessoas, uma tribo", disse Baker ao museu em uma entrevista.

"E as bandeiras são sobre proclamar poder, então é muito apropriado", acrescentou na ocasião.

Em 2015, o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa, adquiriu a bandeira original para a sua coleção de obras, chamando-a de "poderoso marco histórico do design".

Gilbert Baker nasceu em 2 de junho de 1951 em Chanute, no Estado americano do Kansas. Ele cresceu em Parsons, também no mesmo Estado, onde sua avó tinha uma pequena loja de roupas. Seu pai era juiz e sua mãe, professora.

              Getty Images / Spencer Platt


De 1970 a 1972, ele serviu nas Forças Armadas americanas. Quando deixou o Exército, Baker aprendeu a costurar sozinho e usou a habilidade para criar pôsteres para marchas de protesto anti-guerra e a favor dos direitos LGBT.

Baker criou a bandeira arco-íris em 1978, mas se recusou a registrá-la como sua marca. Em 1994, ele se mudou para Nova York, onde viveu até sua morte em 2017.

                Nova York, Junho de 1994


Naquele ano, ele criou a maior bandeira do mundo em comemoração ao 25º aniversário da Rebelião de Stonewall - como ficou conhecidas as manifestações da comunidade LGBT contra a invasão da polícia de Nova York ao bar Stonewall Inn, em Manhattan.

Os protestos anteciparam o movimento moderno de libertação gay e a luta dos direitos LGBT nos Estados Unidos.

sábado, 8 de maio de 2021

Mães da Resistência | JotaBills

O CatPoppers convida o DJ Jotabills e suas mães para dar uma entrevista exclusiva sobre como são as suas relações, foram feitas perguntas para entender melhor como foi todo o processo de aceitação da sua homossexualidade. 


Quando seu filho contou para você, qual foi sua reação?


Rosane/mãe:  Normal, devemos aceitar nossos filhos como eles são, porque ninguém escolhe como vai ser ou agir neste mundo, cada indivíduo tem sua particularidade e nós como mães devemos apenas fazer nosso papel de mãe que é amar.

Nena/tia: Quando ele veio me falar eu agi normalmente. Devemos aceitar a pessoa e não a orientação dela, isso não define nada, devemos nos preocupar com outras coisas muito mais importantes como o caráter.

Rita/tia: Não tem o que agir, cada ser humano tem uma vida individual, cada um age e faz dela o que bem entende. Não cabe a nós querer escolher o que outro pode ou não fazer, e nós como família temos como dever apoiar e acolher.


Como é sua relação com o seu filho?

Rosane/mãe: Nossa relação desde a infância foi de muita união e amizade. Temos liberdade em tudo, ele me conta tudo sobre ele e eu sobre mim. A maior certeza que tenho é que como mãe pude transmitir toda a verdade que tenho sobre a vida e isso passou a ele uma segurança que foi essencial para que ele viesse conversar comigo sobre sua orientação e sobre todas as coisas que ele faz, isso é uma relação muito verdadeira.

Nena/tia: Ele é realmente um filho para mim. Meu companheiro em todos os momentos, sempre me ajuda no que pode, ele me transmite muita verdade e eu confio muito nele. temos uma relação de amizade mesmo, um confia no outro e isso é nítido em tudo que fazemos.

Rita/tia: O João (Jotabills) é uma pessoa muito boa, de personalidade forte que vive rodeado de amigos por causa da luz que ele transmite, todas as vezes que a gente sai junto se divertimos e compartilhamos das mesmas ideias e escolhas. Ele tem um coração muito bom e trata todos muito bem, se damos muito bem. Eu tenho um grande sobrinho.


Qual o seu maior medo em relação ao mundo lá fora?

Rosane/mãe: O meu maior medo é que no mundo a fora, existem muitas pessoas egoístas e que não sabem respeitar as pessoas que não são iguais a eles e acabam massacrando as pessoas do meio LGBTQIA+.

Nena/tia: Eu fico muito preocupada, vivo mandando mensagem ou ligando para saber se está tudo bem e onde ele está. Como vemos diariamente na televisão existem muitas pessoas mas nesse mundo. Eu sei que ele não vai fazer mal pra ninguém, mas não sei como as outras pessoas irão agir e existem pessoas muito hipócritas que gostam de se intrometer na vida dos outros, e muito desses agressores também são LGBTQIA+ mas acabam agindo desta forma para tentar mascarar o que realmente eles são.

Rita/tia: Meu medo é que muitas pessoas são muito preconceituosas com o mundo atual, eles estão no século errado, cada um tem sua livre escolha, seu livre arbítrio, eles têm a obrigação de respeitar. E essas pessoas muitas das vezes tem preconceito com muitas outras coisas como racismo e classe social. E eles têm como dever respeitar a sociedade.


Qual o conselho vocês dariam às mães de LGBTQ+ que ainda não aceitam seus filhos?

Rosane/mãe: Vocês como mães devem aceitar seus filhos como eles são, a gente não tem essa escolha. Ele só tem uma particularidade que o torna único, e é isso que faz o meu e o seu filho ser ainda mais especial.

Nena/tia: As que não apoiam estão agindo errado, é seu filho! Devemos começar a fazer o bem dentro da própria casa, não adianta querer mudar o mundo e não mudar suas atitudes. Comece por você!

Rita/tia: Essas mães têm que ter consciência que seus filhos estão sujeitos a serem diferentes e não devemos criar um modelo de filho perfeito. Nem Deus que se sacrificou por todos na antiguidade é considerado perfeito, quem dirá seu filho. O mundo já bate muito nos LGBTQIA+ pelo menos dentro de casa devemos priorizar o amor.


Algum recado específico?

Rosane/mãe: Sejam vocês, sejam felizes, sei que muitas mães não aceitam seus filhos assim como eu aceitei o meu. Mas tenham força e saibam que ainda existem pessoas boas que irão te amar assim como vocês são.

Nena/tia: Sigam em frente, vocês tem que se aceitar e não deixar a sociedade impor as coisas sobre você. Sei que o mundo ainda tem muitas pessoas ruins mas também tem as boas que algum momento irão te sustentar e independente da crença acreditem que Deus ama vocês do jeitinho que vocês são.

Rita/tia: Se aceitem, Deus ama vocês. Se você se sente bem, isso que importa. Ninguém neste mundo tem o poder de julgar o que o outro pode ou não ser. Sejam felizes e aprendam a se amar.

 


    Fonte: Arquivo Pessoal 


Jota como foi ser criado por 4 mães?

Me sinto muito honrado em ter tido esse privilégio. A um tempo atrás uma das minhas mãezinhas veio a falecer e esse foi um choque muito grande, pois ela era uma das minhas maiores inspirações assim como todas são. Um conselho que minha mãe Roseli me dizia é que eu deveria ser quem eu quisesse ser, ela sempre me apoiou em tudo seja na vida pessoal, profissional ou acadêmica e isso foi fundamental na minha vida.  Espero muito que um dia todas as mães possam enxergar que independente da nossa orientação nós somos seus filhos e que o amor delas e aceitação é fundamental para a nossa auto aceitação.

Nesse dia tão especial só quero agradecer por ter essas referências de força e amor na minha vida. Sou muito grato por todo amor e por terem travado essa luta comigo, sim luta, porque diariamente eu e minha família, lutamos para que uma pessoa LGBTQIA+  todos os dias, deixe que ele tenha livre escolha e faça de si mesmo sua vida real. Agradeço a Deus e ao universo por ter minha família em minha vida. Gratidão a Catpoppers pela oportunidade dessa entrevista de poder mostrar um pouquinho das minhas rainhas.

                                                                                          Matéria por: Layla Fran 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Pátria, Corpo e Amores Livres para Vencer | O assassinato de Lindolfo Kosmaski

Lindolfo Kosmaski era jovem, homossexual, professor, pós-graduando, ativista do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e morador de São João do Triunfo - PR, foi brutalmente assassinado e queimado no dia 1º de Maio em seus 25 anos de idade.  

No último sábado o corpo do ativista foi encontrado carbonizado dentro do seu próprio carro no interior de São José do Triunfo. A delegacia local que investiga o caso, junto da delegacia de São Matheus do Sul, ainda não aferiu comprovações sobre o caso, apontaram apenas a possibilidade de ser um crime de ódio pela sua orientação sexual e/ou pela sua atividade no MST. Contudo o delegado defende que a cena do crime demonstra uma alta probabilidade de ser efetivamente um assassinato planejado, em especial pelos depoimentos coletados de moradores da região que ouviram tiros durante a madrugada em que foi morto.  

Dessas poucas informações que as investigações nos permitem ter ciência, podemos destacar os dois aspectos que parecem ser motivadores dessa fatalidade, sua sexualidade e sua atividade no movimento social em questão. Relativo à sua orientação homoafetiva consideramos que quando uma pessoa LGBTQ+ é agredida ou morta planejadamente há sempre relações com sua identidade, na medida em que a cultura da heteronormatividade caracteriza-os(as) como corpos estranhos, desviados, não importantes. Já referente à sua participação no MST, podemos especular que sua morte, assim como a de outros militantes desse segmento, está atrelada a sua luta pelo direito a terra, pela necessidade de produzir alimento em áreas não produtivas que “pertencem” a grandes latifundiários apenas pela condição histórica de posse da terra, em processos como os de sesmaria. Portanto, sua perda pode estar atrelada a conflitos do seu assentamento com interesses políticos e econômicos dos coronéis desse século.  



Foto: Rafael Stedile 



Embora as informações da investigação não nos proporcionem confirmar que sua morte tem motivações políticas, ora de sexualidade, ora de luta pela reforma agrária, não podemos desconsiderar esses elementos. Em uma análise sociológica do fato, em um olhar histórico, podemos argumentar que as mortes tidas em cenas que representam homicídios, assassinatos, de pessoas LGBTQ+ ou do MST, são sempre mortes intencionadas.  Nunca um LGBTQ+ é assassinado sem motivação da sua identidade, assim como nunca um militante da entidade supracitada é vítima fatal sem estar em confronto pelo direito a terra.  

A morte de Lindolfo precisa ser investigada em linhas que apresentem a possibilidade de motivação por crime de LGBTQfobia, assim como de assassinato por interesses políticos. Dentre os gritos de Justiça da sua entidade, um deles ecoa: Pátria Livre, Venceremos! Considero que esse é o momento de gritarmos Pátria, Corpo, e Amores Livres para vencermos! 

Lindolfo, presente!


                                                                                                             Texto por Guilherme Portela


Guilherme Portela, graduando em Pedagogia na UEPG, pesquisador de Gênero, Sexualidade e Educação, membro da comissão de diversidade e gênero da OAB-PG, do Conselho Municipal LGBT e da Parada Cultural LGBT+ dos Campos Gerais. 

Julie San Fierro conta um pouco mais sobre os bastidores do seu visual set, o Bestiário.

Foto: Dezevecki / Edição: Julie San Fierro Por Amanda Dombrowski Bestiário é um Visual Set lançado por Julie San Fierro onde ela abre o seu ...