O CatPoppers convida o DJ Jotabills e suas mães para dar
uma entrevista exclusiva sobre como são as suas relações, foram feitas perguntas para entender melhor como foi todo o processo de aceitação da sua homossexualidade.
Quando seu filho
contou para você, qual foi sua reação?
Rosane/mãe: Normal, devemos aceitar nossos filhos como
eles são, porque ninguém escolhe como vai ser ou agir neste mundo, cada
indivíduo tem sua particularidade e nós como mães devemos apenas fazer nosso
papel de mãe que é amar.
Nena/tia: Quando
ele veio me falar eu agi normalmente. Devemos aceitar a pessoa e não a
orientação dela, isso não define nada, devemos nos preocupar com outras coisas
muito mais importantes como o caráter.
Rita/tia: Não tem
o que agir, cada ser humano tem uma vida individual, cada um age e faz dela o
que bem entende. Não cabe a nós querer escolher o que outro pode ou não fazer,
e nós como família temos como dever apoiar e acolher.
Como é sua relação com o seu filho?
Rosane/mãe: Nossa
relação desde a infância foi de muita união e amizade. Temos liberdade em tudo,
ele me conta tudo sobre ele e eu sobre mim. A maior certeza que tenho é que
como mãe pude transmitir toda a verdade que tenho sobre a vida e isso passou a
ele uma segurança que foi essencial para que ele viesse conversar comigo sobre
sua orientação e sobre todas as coisas que ele faz, isso é uma relação muito
verdadeira.
Nena/tia: Ele é
realmente um filho para mim. Meu companheiro em todos os momentos, sempre me
ajuda no que pode, ele me transmite muita verdade e eu confio muito nele. temos
uma relação de amizade mesmo, um confia no outro e isso é nítido em tudo que
fazemos.
Rita/tia: O João
(Jotabills) é uma pessoa muito boa, de personalidade forte que vive rodeado de
amigos por causa da luz que ele transmite, todas as vezes que a gente sai junto
se divertimos e compartilhamos das mesmas ideias e escolhas. Ele tem um coração
muito bom e trata todos muito bem, se damos muito bem. Eu tenho um grande
sobrinho.
Qual o seu maior medo
em relação ao mundo lá fora?
Rosane/mãe: O meu
maior medo é que no mundo a fora, existem muitas pessoas egoístas e que não
sabem respeitar as pessoas que não são iguais a eles e acabam massacrando as
pessoas do meio LGBTQIA+.
Nena/tia: Eu fico
muito preocupada, vivo mandando mensagem ou ligando para saber se está tudo bem e
onde ele está. Como vemos diariamente na televisão existem muitas pessoas mas
nesse mundo. Eu sei que ele não vai fazer mal pra ninguém, mas não sei como as
outras pessoas irão agir e existem pessoas muito hipócritas que gostam de se
intrometer na vida dos outros, e muito desses agressores também são LGBTQIA+ mas
acabam agindo desta forma para tentar mascarar o que realmente eles são.
Rita/tia: Meu
medo é que muitas pessoas são muito preconceituosas com o mundo atual, eles
estão no século errado, cada um tem sua livre escolha, seu livre arbítrio, eles
têm a obrigação de respeitar. E essas pessoas muitas das vezes tem preconceito
com muitas outras coisas como racismo e classe social. E eles têm como dever
respeitar a sociedade.
Qual o conselho vocês dariam às mães de LGBTQ+ que ainda não aceitam seus filhos?
Rosane/mãe: Vocês
como mães devem aceitar seus filhos como eles são, a gente não tem essa escolha.
Ele só tem uma particularidade que o torna único, e é isso que faz o meu e o
seu filho ser ainda mais especial.
Nena/tia: As que
não apoiam estão agindo errado, é seu filho! Devemos começar a fazer o bem
dentro da própria casa, não adianta querer mudar o mundo e não mudar suas
atitudes. Comece por você!
Rita/tia: Essas
mães têm que ter consciência que seus filhos estão sujeitos a serem diferentes
e não devemos criar um modelo de filho perfeito. Nem Deus que se sacrificou por
todos na antiguidade é considerado perfeito, quem dirá seu filho. O mundo já
bate muito nos LGBTQIA+ pelo menos dentro de casa devemos priorizar o amor.
Algum recado específico?
Rosane/mãe: Sejam
vocês, sejam felizes, sei que muitas mães não aceitam seus filhos assim como eu
aceitei o meu. Mas tenham força e saibam que ainda existem pessoas boas que
irão te amar assim como vocês são.
Nena/tia: Sigam
em frente, vocês tem que se aceitar e não deixar a sociedade impor as coisas
sobre você. Sei que o mundo ainda tem muitas pessoas ruins mas também tem as
boas que algum momento irão te sustentar e independente da crença acreditem que
Deus ama vocês do jeitinho que vocês são.
Rita/tia: Se
aceitem, Deus ama vocês. Se você se sente bem, isso que importa. Ninguém neste
mundo tem o poder de julgar o que o outro pode ou não ser. Sejam felizes e
aprendam a se amar.
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Fonte: Arquivo Pessoal |
Jota como foi ser criado por 4
mães?
Me sinto muito honrado em ter tido esse privilégio. A um
tempo atrás uma das minhas mãezinhas veio a falecer e esse foi um choque muito
grande, pois ela era uma das minhas maiores inspirações assim como todas são. Um
conselho que minha mãe Roseli me dizia é que eu deveria ser quem eu quisesse
ser, ela sempre me apoiou em tudo seja na vida pessoal, profissional ou
acadêmica e isso foi fundamental na minha vida.
Espero muito que um dia todas as mães possam enxergar que independente
da nossa orientação nós somos seus filhos e que o amor delas e aceitação é
fundamental para a nossa auto aceitação.
Nesse dia tão especial só quero agradecer por ter essas
referências de força e amor na minha vida. Sou muito grato por todo amor e por
terem travado essa luta comigo, sim luta, porque diariamente eu e minha
família, lutamos para que uma pessoa LGBTQIA+
todos os dias, deixe que ele tenha livre escolha e faça de si mesmo sua
vida real. Agradeço a Deus e ao universo por ter minha família em minha vida. Gratidão a Catpoppers pela oportunidade dessa entrevista de poder mostrar um
pouquinho das minhas rainhas.
Matéria por: Layla Fran