quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Mês da visibilidade lésbica: Basta de invisibilidade!

Bandeira do orgulho lésbico. Foto: Arquivo


Por Amanda Dombrowski


 O dia destinado a visibilidade lésbica no Brasil é 29 de agosto. A data nasceu após o primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), em 1996.


Mesmo tendo uma data mais forte após o evento, o movimento lésbico surgiu em 1979 com o Grupo Lésbico-Feminista (LF).


A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lançou, em 2017, um dossiê sobre o Lesbocídio no Brasil. Fazendo uma comparação, no ano de 2000 houveram dois lesbocídios, já em 2017 houveram 54.


O dossiê ainda apresenta que mulheres de até 24 anos fazem parte de 57% dos lesbocídios e 83% dos agressores são homens.


Essa data é importante para a luta da comunidade, para dar mais visibilidade e para protestar contra as agressões sofridas por mulheres lésbicas. Neste dia as mulheres frisam a importância do respeito e a necessidade de um mundo mais igual.

domingo, 8 de agosto de 2021

Dia dos Pais: uma relação de amor e respeito

                           Foto: acervo pessoal 



Por Amanda Dombrowski

Com 28 anos, Layla Fran se assumiu lésbica para os seus pais, e com 30 para a
sociedade. Hoje, com 34 anos, explica que quando seus pais descobriram ficaram alguns
dias sem falar com ela. “Depois me falaram que o medo maior era o "Mundo lá fora". Com o
passar dos dias eles ficaram mais calmos”, conta.

O medo de contar para os pais era grande, por isso essa intermediação foi feita por
uma amiga. Após isso, a mãe de Layla começou a fazer diversas perguntas até mostrar que
sabia de tudo. Ela sente que seus pais a apoiam, respeitam, defendem e amam e também
entende que o medo do mundo é muito grande.
“Eu nunca sofri preconceito por parte dos meus familiares, mas de algumas visitas
sim. Eles sempre faziam aquelas famosas piadinhas, mas eu sempre revidei e coloquei eles
no lugar deles”, explica Layla.

Relação com o pai

O pai de Layla é quieto, mas, segundo ela, possui um coração gigante que através
de algumas atitudes demonstra o seu amor. Para o mundo, ele é o seu padrasto, mas como
a assumiu quando ela tinha 4 anos ele a criou e se tornou muito presente em sua vida.
“Meu pai é emotivo, brincalhão e coração mole. Nossa relação é de amor, respeito e
muita sinceridade. Em casa eu tenho minha base e meu porto seguro”, relata ela.
Layla aos 30 anos se sentiu livre para amar, mesmo com medo e culpa. 

O sentimento de poder ser quem ela é foi um alívio, pois sabe que antes estava mentindo para
ela mesma. “Eu estava certa que eu queria isso e que eu sou assim, cada um tem seu
processo e seu tempo. Graças ao universo eu tenho uma família que me respeita e fecha
comigo, isso me deixa mais segura”, diz Layla.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

A homofobia é um crime que não ataca somente a comunidade LGBTQ+



Pode parecer estranho, mas ataques homofóbicos mataram um menino heterossexual de 16 anos. Foto: Instagram


Por Amanda Dombrowski

Após postar um vídeo no Tik Tok, João Lucas Santos, filho de Walkyria Santos, recebeu diversos comentários homofóbicos. João Lucas é heterossexual e, segundo ele, fez apenas uma brincadeira com seu amigo.

No vídeo postado, os dois iam conversar e simulavam um beijo, o que na verdade não chegou a acontecer em nenhum momento. João Lucas sentiu a necessidade de realizar outra postagem na rede social pedindo desculpas.

Após tudo isso, o menino foi encontrado morto no condomínio onde morava com a mãe, em Natal, Rio Grande do Norte.

Walkyria comentou em suas redes sociais que seu filho já apresentava sinais e frequentava psicólogos. Mas a gota d'água para que o menino cometesse suicídio foi todo o ataque recebido.

A mãe pede para que todas as pessoas fiquem alertas, assim ninguém precisaria chegar ao ponto de cometer suicídio.

A homofobia é um mal tão enraizada em nossa sociedade, que chega ao ponto de atingir até mesmo pessoas heterossexuais. Se essa situação aconteceu dessa forma, imagina o que a comunidade LGBTQ+ passa na pele todos os dias.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Camila & Júlia | Uma História de amor LGBTQ dentro do esporte no Paraná


Júlia (esquerda) e Camila (direita) posam com troféu. Foto: Divulgação


Por Amanda Dombrowski



Camila Costa, natural de Ubiratã (PR) e atleta de futsal. Em 2009 iniciou a sua carreira no esporte de alto rendimento, em Pindamonhangaba (SP), mesmo ano em que se assumiu LGBTQ+ para a sua família.


. A atleta passou por algumas equipes no estado de São Paulo até 2014, quando começou a atuar no Paraná, começando pelo clube Guarapuava. Em seguida jogou 5 anos por Cianorte e hoje defende o clube Stein da cidade de Cascavel.


Júlia Melz, natural de Iporã do Oeste (SC) e atleta de futsal. Em 2006 iniciou a sua carreira no esporte de alto rendimento, no Chimarrão de Estância Velha (RS). Em 2010 se assumiu LGBTQ+ para a sua família.


A atleta atua faz 15 anos e durante esse período jogou pelo Kindermman (SC), Unifor (CE), Bebedouro (SP), Guarapuava (PR). Hoje defende o clube de Cianorte (PR).


Dificuldades


O fato de ser mulher e LGBTQ+ no esporte pode trazer algumas dificuldades. Camila conta que sempre precisou enfrentar o machismo dentro do esporte, pelo fato de muitas pessoas acharem que o futsal não é para mulheres. Por outro lado, nunca sofreu LGBTfobia.


“Algumas pessoas tinham uma certa dificuldade em compreender no começo, (ela ser LGBT1+)  mas com a convivência se tornava natural”, explica Júlia.


Representatividade dentro das Olimpíadas


Camila considera que é muito importante pessoas com visibilidade e influência falarem sobre o respeito com a comunidade LGBTQ+. “A humanidade precisa de mais amor, não importa qual a forma dele”, completa Camila.


Júlia não tem uma opinião diferente desta sobre o assunto, ela considera que a representatividade nas olimpíadas é uma grande conquista. “Não que nas olimpíadas passadas não tivesse essa representatividade, mas hoje conseguimos falar, ser quem somos, sem tanta repressão. Para os futuros atletas isso é uma grande conquista, podendo ser sua essência dentro e fora das competições”, comenta Júlia.


Caminhos que se cruzam


Camila e Júlia se abraçam pós-jogo. Foto: Divulgação


Júlia e Camila se conheceram em 2013, jogando por Bebedouro (SP). Logo de início se aproximaram e construíram uma grande amizade que se transformou em um relacionamento amoroso.


As duas nunca deixaram que o relacionamento fora das quadras afetasse o rendimento. As atletas comentam que que apenas evoluíram devido ao grande diálogo e cobrança dentro e fora de quadra. “O diálogo é algo que priorizamos, claro que existem outras características que são base para nosso relacionamento como amor, confiança, respeito, reciprocidade, empatia, Mas o diálogo é fundamental”, relatam.

Hoje, as atletas não moram na mesma cidade, pois atuam em times diferentes. Júlia joga em Cianorte e Camila em Cascavel. Elas explicam que isso não interferiu no profissionalismo e nas responsabilidades.

Apesar da distância ser difícil, as duas consideram que amadureceram e aprenderam muito durante esse período. “Nesses 8 anos construímos uma família, uma unidade, na qual, queremos sempre estar juntas, independente do momento ou da circunstância”, comentam.


quinta-feira, 29 de julho de 2021

Aos poucos, estamos dominando o mundo

 

Douglas Souza, primeiro LGBTQ+ a disputar as olimpíadas pela seleção masculina de vôlei do Brasil, ataca contra os Estados Unidos - Foto: Divulgação FIVB

Por Amanda Dombrowski


Os Jogos Olímpicos de Tóquio trouxeram um grande marco para a história. Com 160 atletas declarados LGBTQ+, e a primeira olimpíada onde uma mulher trans disputa, os jogos de 2021 somam mais atletas da comunidade do que as duas últimas edições juntas.


E qual a importância deste marco para a comunidade LGBTQ+? No Brasil, a conquista de direitos caminha a passos lentos. Infelizmente, em 2020, de acordo com o relatório intitulado como “Observatório das Mortes Violentas de LGBTI+ No Brasil – 2020”, realizado pelo Grupo Gay da Bahia e pela Acontece Arte e Política LGBT+, de Florianópolis, foram registradas pelo menos 237 mortes devido à LGBTfobia. Sendo dessas, 224 homicídios e 13 suicídios.


A presença de vários atletas LGBTQ+ nas olimpíadas mostra para todo o mundo que a comunidade está presente em todos os lugares. Mesmo que toda a sociedade tente silenciar aqueles que consideram errados e diferentes, a comunidade continua lutando por direitos e está sim conquistando todos os lugares que deseja.


E para o Brasil esse marco histórico das olimpíadas está representado também por um novo atleta. O país soma 15 jogadores assumidos da comunidade LGBTQ+, incluindo as atletas do futebol feminino Marta e Andressa Alves. Mas quem chamou toda a atenção foi Douglas Souza, atleta de vôlei masculino da seleção brasileira.


Douglas assumiu a sua sexualidade em 2018 e é o primeiro atleta da seleção de vôlei brasileira a se assumir gay. Seu talento vai além das quadras, conquistando o coração de muitos através do seu carisma nas redes sociais. Tendo, até a conclusão desta matéria, 2,9M de seguidores no Instagram.


Que esse marco na história das olimpíadas possa trazer para a comunidade LGBTQ+ mais segurança em relação a visibilidade e representatividade. Viva aos jogos da diversidade!



sábado, 17 de julho de 2021

E se a violência contra os LGBTQ's no Brasil fosse inversa?

Artista LGBTQ, Romanov, lança a sua música chamada CEO. Tanto a letra quanto o clipe do single passam uma mensagem forte e de militância.

Foto: Dezevecki


Por Amanda Dombrowski


Romanov explica que tenta passar a sua identidade através desse lançamento. "Eu pude mostrar que os LGBTQ's podem estar em qualquer lugar que quiserem estar. Podem ditar as regras do jogo e não vão estar fadados sempre a receber a dor, nós também sabemos e vamos nos defender", explica o artista.


A obra apresenta cenas fortes, mas que não tem o objetivo de fazer uma apologia ao crime. Romanov conta que está apenas assumindo o seu papel como artista na sociedade para fazer a revolução.


O processo de produção começou com a escrita da letra. Em seguida, para criar o roteiro do clipe, o artista escreveu um conto. A partir dele foi possível fazer o clipe com o começo, meio, ápice e fim.


Foto: Dezevecki

CEO passa uma mensagem de empoderamento e chama para uma reflexão. Romanov quer que as pessoas pensem "e se fosse ao contrário?" ou "Por que eles fazem isso se eles não querem receber o mesmo?".


Com elementos impactantes, o artista tenta responder a seguinte pergunta: Como a sociedade veria a comunidade LGBTQ se eles fizessem exatamente a repressão que vivem?


Romanov sente que, como artista LGBTQ, precisa falar sobre isso. "Muitos LGBTQ's estão sendo mortos, massacrados, todos os dias. Principalmente no Brasil que é o país que mais mata LGBTQ's no mundo", explica ele.


O objetivo de Romanov é alcançar muitas pessoas para que elas se identifiquem e reflitam. E não para por aí. Romanov tem o objetivo de lançar mais uma música neste ano. Aguarde!


Assista o teaser:



Para assistir ao clipe completo acesse:



#CEO #ROMAN0V #SINGLE


quinta-feira, 24 de junho de 2021

A HISTÓRIA POR TRÁS DA BANDEIRA

Você sabe como surgiu o símbolo do Orgulho LGBTQIA+?

Seu criador é um americano chamado Gilbert Baker e criou o estandarte com oito cores, em 1978, para o Dia de Liberdade Gay de San Francisco, na Califórnia.

A bandeira original tinha as seguintes cores, cada uma representando um aspecto diferente da humanidade:

Rosa | Sexualidade

Vermelho | Vida

Laranja | Cura

Amarelo | Luz do Sol

Verde | Natureza

Turquesa | Magia / Arte

Anil | Harmonia / Serenidade

Violeta | Espírito Humano


Depois a bandeira foi reduzida a seis cores, sem o rosa e o anil. O azul também acabaria por substituir o turquesa. Falando sobre sua criação, Baker disse que queria transmitir a ideia de diversidade e inclusão, usando "algo da natureza para representar que nossa sexualidade é um direito humano".

"Decidi que tínhamos de ter uma bandeira, que uma bandeira nos encaixasse em um símbolo, o de que somos pessoas, uma tribo", disse Baker ao museu em uma entrevista.

"E as bandeiras são sobre proclamar poder, então é muito apropriado", acrescentou na ocasião.

Em 2015, o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa, adquiriu a bandeira original para a sua coleção de obras, chamando-a de "poderoso marco histórico do design".

Gilbert Baker nasceu em 2 de junho de 1951 em Chanute, no Estado americano do Kansas. Ele cresceu em Parsons, também no mesmo Estado, onde sua avó tinha uma pequena loja de roupas. Seu pai era juiz e sua mãe, professora.

              Getty Images / Spencer Platt


De 1970 a 1972, ele serviu nas Forças Armadas americanas. Quando deixou o Exército, Baker aprendeu a costurar sozinho e usou a habilidade para criar pôsteres para marchas de protesto anti-guerra e a favor dos direitos LGBT.

Baker criou a bandeira arco-íris em 1978, mas se recusou a registrá-la como sua marca. Em 1994, ele se mudou para Nova York, onde viveu até sua morte em 2017.

                Nova York, Junho de 1994


Naquele ano, ele criou a maior bandeira do mundo em comemoração ao 25º aniversário da Rebelião de Stonewall - como ficou conhecidas as manifestações da comunidade LGBT contra a invasão da polícia de Nova York ao bar Stonewall Inn, em Manhattan.

Os protestos anteciparam o movimento moderno de libertação gay e a luta dos direitos LGBT nos Estados Unidos.

Julie San Fierro conta um pouco mais sobre os bastidores do seu visual set, o Bestiário.

Foto: Dezevecki / Edição: Julie San Fierro Por Amanda Dombrowski Bestiário é um Visual Set lançado por Julie San Fierro onde ela abre o seu ...